Papo Legal

Uma visão descomplicada do Direito

Mais um dia de trabalho

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Quem advoga sabe que o dia a dia de um advogado é permeado de chá de cadeira (ou de pé, na maioria dos casos), atendimentos dos mais variados nas varas, cobranças de clientes ansiosos por resultados, boas e más notícias, e uma boa dose de paciência e criatividade.

Mas ciente de que boa parte das pessoas que acessam o Papo Legal são pessoas fora do meio jurídico, gostaria de compartilhar um dia meu de trabalho. A fim de não sugerir qualquer identificação das varas, funcionários ou juízes, não vou citar que dia foi este, que pode ter sido em qualquer mês do ano.

Pois bem. Eu havia delimitado realizar acompanhamentos de processos da Justiça Estadual, na justiça comum (Fórum Ministro Henoch Reis, no Aleixo) e no juizado (Fórum Desembargador Mário Verçosa).

Primeiramente me dirigi ao Henoch, onde pretendia falar com 3 juízes, além de acompanhar alguns processos. Como, na semana anterior, me informaram nas varas dos respectivos juízes com quem eu pretendia conversar sobre processos que os mesmos sempre chegam cedo, por este motivo optei por iniciar o trabalho no Henoch.

Chegando ao Henoch, dirigi-me à primeira vara a fim de conversar com o primeiro juiz, a fim de tratar da expedição de um alvará judicial (uma espécie de autorização para levantar um valor que estava disponível no processo) que já há quase um mês está para ser autorizado, mas ainda não o foi. Chegando lá, fui informado que o juiz ainda não havia chegado, e que deveria estar chegando por volta do meio-dia.

Tudo bem, dei azar. Até me informaram na vara que o juiz estaria com uns afazeres especiais (não posso citá-los aqui, a fim de evitar a identificação), o que me pareceu razoável, tendo em vista que muitos juízes cumulam trabalhos.

Dirigi-me então à segunda vara, onde pretendia falar com o segundo juiz. Mais uma vez fiquei no vácuo. Fui informado que o juiz estava também em uma atividade paralela (lícita, que fique bem claro, e pertinente ao papel de juiz), e que por este motivo chegaria mais tarde. Tudo bem.

Terceira vara. Nesta, como não há juiz titular, não souberam sequer me informar como nem quando falar com o que estava cumulando os afazeres daquela vara. Tendo em vista o caso em concreto, pedi para localizarem o meu processo, a fim de que eu tratasse do assunto com o(a) assessor(a). O pessoal foi até bem solícito, mas, tendo em vista a demora em localizarem o processo, decidi ir a uma outra vara a fim de acompanhar mais um processo.

Quarta vara. Pedi para ver um processo. Nova demora em localizar. Decidi voltar mais tarde.

Quinta vara. Fechada para correição.

Abro aqui um parêntese. Confesso que ainda não entendi bem o objetivo da inspeção. Tenho processos que estavam totalmente fora de ordem, mas, na inspeção, foram classificados como “em ordem”!

Volto então à primeira vara (duas horas após a minha chegada). Nada do juiz.

Retorno à segunda. Também ainda sem o juiz. Mas decidi já falar com o(a) assessor(a), a fim de adiantar o assunto.

Terceira vara novamente. O processo ainda não havia aparecido. Ficou acertado que eu retornaria no dia seguinte, dada a demora em localizar.

Quarta vara. Processo encontrado. Aleluia!

De volta à primeira vara. Perguntei qual seria o melhor horário pra falar com o juiz no dia seguinte (a informação dada na semana anterior é que seria logo cedo). Melhor horário: entre 11h e 12h.

Sensação de viagem perdida. Rumo aos iuizados agora.

Chegando ao juizado, já na entrada, a auto-estima começou a retornar. Passando na entrada, fui reverenciado por um PM que bateu continência. Tá certo que o insul film é 100%, mas já valeu a intenção.

Na primeira vara, já consegui uma boa notícia. A funcionária se prontificou a expedir notificação para a outra parte do processo já no dia seguinte. Menos mau…

Na segunda vara, a secretária me informou que o processo estava com um status estranho, mas corrigiu e já me passou para a pessoa que iria analisar a petição antes de ir ao juiz. Mais um avanço!

Na terceira vara, não falei com a juíza (que estava em audiência), mas deixei meu recado com a assessora, que se comprometeu em auxiliar no que fosse preciso.

Decidi subir de volta à primeira vara e, ante de chegar, encontrei uma funcionária de uma vara que eu nem pensei em visitar nesse dia. A mesma, prontamente, lembrou de um processo meu, e me relatou uma boa notícia. Um certo valor já havia sido depositado, e informou que já havia encaminhado à pessoa responsável por expedir o alvará.

Eis um dia normal de trabalho de quem milita na advocacia. Por vezes, é possível passar o dia no escritório analisando casos e recebendo clientes, mas, em diversas ocasiões, é necessário mesmo sair a campo e passar por experiências das mais diversas, algumas realmente desagradáveis.

Ah, já ia esquecendo. A vara onde trabalha aquela funcionária do juizado que me parou no corredor, ainda no horário do almoço, me telefonou para agendar um horário para que eu recebesse o alvará no dia seguinte.

Written by arlindoneto

09/11/2009 às 17:59

Publicado em Outros

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